17 de mai. de 2010

Vitímas do Desenvolvimento?

Na maioria das vezes as crianças refugiam-se na marginalidade, em consequência do fracasso da geração dos seus pais, fugindo, desta forma, das opressões de todos os gêneros. Protegendo-se da despersonalização em que a sociedade os obriga a se moldarem.
Como resposta à irresponsabilidade e desumanidade da sociedade, que tem seus interesses voltados para o desenvolvimento e ignora as vítimas de uma política que não leva em conta o verdadeiro significado da palavra «social» e, sobretudo, a criança, integra-se em grupos, tentando criar, clandestinamente, um mundo irreal que responda às suas necessidades mais profundas.
Bom, isso ainda não é nada quando comparado com a realidade cruel dessas crianças. Milhões de crianças e jovens vivem em condições indescritíveis, não só no Brasil, mas no mundo inteiro!
Juntamente com meus vários sonhos e projectos, juntam-se inúmeras perguntas, dúvidas e medos! Como falar de vida, para pessoas que, até então, só contemplaram a morte? Como falar de amor a seres que sempre conviveram com o ódio? Como falar de paz para pessoas que vivem na guerra? Como falar de família para crianças que nunca conviveram com esse conjunto? É difícil! Vai pensando... Eu me pego pensando em realidades alheias e... Sinceramente, me envergonho por não estar fazendo nada para mudá-las. Não quero me acomodar numa confortável e privilegiada posição de salvadora, que entende a responsabilidade de que todos temos para com cada um de nós. Quero ultrapassar a barreira que nos leva a crer que basta que não façamos o mal e enxergar que precisamos fazer o bem. Anseio ter a real consciência do poder dos talentos recebidos do Universo e de que é nosso dever usá-los da melhor forma também em favor dos outros. Compreender e fazer com que outros compreendam que somos todos um.
A violência tende a progredir em sociedades cujos homens permanecem pouco criativos, que perderam o sentindo da existência e a esperança em dias melhores.
Para Sarte (filósofo e escritos francês), o homem é responsável por si próprio. Não querendo ele com isso dizer que o homem é responsável por sua restrita individualidade, mas que é responsável por todos os homens. Não é possível formar cidadãos, nem falar em direitos humanos sem antes atentarmos para o universo imenso de pessoas que, hoje, estão destituídas até mesmo dos direitos básicos de humanidade.
São tão graves os casos e, tem vindo a tornarem-se tão normais que, não dá vontade nem de pensar, tal é a decepção! Mas não tenho o direito de parar. Apesar de ter apenas 17 anos e saber que a minha caminhada mal começou... Por vezes me sinto cansada. Mas preciso continuar, continuar na minha luta contra tudo isso, já sei qual o caminho, já conheço o inimigo.

"Mudar o mundo é impossível é o que a maioria diz
Engole a dor engole o ódio e tenta ser feliz
Muitas vezes já pensei sinceramente em desistir
Nessas idas e vindas da minha vida" - Face da Morte.

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