30 de mar. de 2010

Self-Discovery

Decidi me despir de mim mesma.


E de toda e qualquer experiência que possa ter tido anteriormente.
Apenas com um único objectivo: Me encontrar. Não sei se obterei sucesso, mas às vezes não interessa muito o resultado final, porque os meios vão tornar essa busca em uma experiência agradável. Entendo cada dia mais que a vida é simples mas complexa e que amar, nada mais é que uma escolha.


Há tempo para tudo, de forma simples tudo se pode alcançar. É... A vida é isso, tão simples... Que nem pergunta de mais. É tipo o coração. O coração não reclama um motivo para bater, bate porque está vivo. Os sonhos por vezes não tem como objectivo a sua realização mas sim livrar-nos do fantasma do conformismo.



Na situação na qual me encontro é difícil falar de sonhos, pessoas, humanidade, experiências sociológicas, paixão, amor, bem, mal, ser, não ser, missão, só fazer peso na terra... É um fardo pesado. Tão pesado que mesmo querendo me livrar dele, é difícil até para tirá-lo.


Porquê? Porque ao tirá-lo verei os meus defeitos
Porque ao tirá-lo verei as minhas várias falhas
Porque ao tirá-lo verei o estado calamitoso que se encontra o meu espírito
Porque ao tirá-lo verei a minha covardia
Porque ao tirá-lo verei a minha ignorância
Porque ao tirá-lo verei a minha credulidade excessiva
Porque ao tirá-lo verei marcas deixadas por pessoas
Porque ao tirá-lo verei feridas


E como é normal em todo ser-humano, arranjamos vários motivos e desculpas para não sair do mesmo lugar, continuar com os mesmos pesadelos, com os mesmos medos e com os mesmos sofrimentos. Permanecemos na menoridade em todos os sentidos e, se for necessário, até adornamos todo o sofrimento para continuarmos a carregar algo que nos incomoda, que nos magoa, mas enfim... É bem mais fácil deixar andar. Decidi emergir do meu estado actual. Hora da mudança, porque até as tentativas de conversa transformaram-se em monólogos, com sons disparados da minha figura de pedra. Como se algo, dentro de mim, tivesse morrido e, agora, estivesse me corroendo lentamente, fazendo com que eu derrame, esporadicamente por meio de palavras amargas ou num silêncio desprovido de emoção


Não quero ser assim... Comecei a obra. Várias camadas me cobrem, mas só de tirar o pó, consegui me lembrar de algo: a promessa de um futuro promissor, cheio de esperança e paz, muita paz. Por não haver em mim sombra de raiva ou rancor, comecei pelo mais pesado fardo: Decepção. O desapontamento gerado em nós devido a uma ilusão perdida. A confiança dada e jogada fora, o amor oferecido sem qualquer valor lançado, tipo pérolas aos porcos. O engano dos sentidos e dos pensamentos em relação a algo ou a alguém, gera uma falha brutal e devastadora no nosso ser. Pior que a raiva, magoa, rancor... E esses tipos de sentimentos que, felizmente ou infelizmente (ainda não sei) não fazem parte de mim. Decidi limpar o porão da alma e retirar tudo que não era bom, tudo que me assolava e me mantinha encarcerada.



Comecei por ver a brilhar, por volta de um todo maioritariamente sujo, uma pequena parte da jóia perdida em que se encontrava a fé nas pessoas e em Deus. Rotina, stress, pensamentos próprios, opiniões alheias, maldade, isto tudo é um conjunto de factores que nos impedem de ter bons amigos e de buscarmos mais pela direcção divina. A prova disso? Você tem quantos amigos? Eu posso contar nos dedos, e só preciso de uma mão. Mas colegas... Cara, tenho muitos colegas. Vários perguntam se eu estou bem, mas de verdade, poucos se importam com a resposta. A opção? Diminui o número de gente ao redor, vou ter menos decepção e assim vai ser bem melhor.



Depois desse primeiro e doloroso processo, tirei toda tristeza. Uma tristeza espessa, que cobria o meu olhar e escurecia o meu rosto. Ela foi ousada, me olhou de frente, dentro dos meus olhos. Para ajudar na festa, ela trouxe o medo que logo congelou meus pensamentos, deu pausa no meu coração. Eu temi, suei e continuei ali, no chão. Um eterno vazio, onde eu eu pude ver fases da minha vida que eu poderia ter dado mais valor as coisas simples, como almoços com o meu avô, rolê com os parceiros, com a família, um filme com meus irmãos, um jantar com meus país. Aquele mendigo lá da rua que eu nunca parei pra ajudar. Aquela minha amiga que eu nunca cheguei a retornar a ligação. Aquele amigo que eu tanto queria arrastar pra fora dos pensamentos e me perdi... Enfim....
Como não sei, mas a coragem apareceu, disse que essas acusações já não eram válidas, cabia a mim e só a mim escrever novas páginas, dessa minha história que vai ser linda. Peço para a coragem encontrar você também.
Ao tirar essas camadas que não eram inatas, passei por várias lutas, mas é aquilo:
Deus te deu arma, não te pediu pra ir pra guerra.
Deus te deu alma, você decide o quanto erra.
O decurso para a "auto-polição" dói, magoa. Faz desenterrarmos fantasmas do passado acordando um novo monstro chamado futuro. Mas para mim, o fantasma, agora, chama-se lembranças e o monstro esperança. Todo esse processo incomoda e muito, ninguém quer relembrar experiências más, conflitos dolorosos, medos, defeitos, porém, tudo isso faz-nos renascer. Novos seres mais sinceros. Mais sinceros e mais justos conosco e com o mundo. É como olhar um lugar nunca antes observado. E quando a gente menos espera por novos sentimentos somos dominados. Longe do concreto da cidade, longe do mundo físico, a esperança renasce e a tua paz me invade. Como se todo o vazio se extinguisse. Eu sinto sua falta, é verdade... Sinto! Os meus olhos dizem o que a minha boca não tem coragem de proferir. E é pela paz que eu não quero seguir dividida.


Você fez da sua vida, a minha.
Eu fiz dos teus problemas, os meus.
Estou aqui para isso!
Quero chegar ao mais íntimo do teu coração, penetrar nessa fortaleza que se criou e quebra-la.
Te trazer de volta pra mim, te libertar dessa prisão. Caso contrário nada faria sentido, não valeria a pena ter nascido e eu sempre preferi morrer do que viver sendo covarde. O mundo, a nossa mente cria conceitos e preconceitos que flagela, assusta. Mas é tudo uma questão de sensibilidade, de controle da mente. Ahhh e é tão difícil controlar a mente. E entender o coração, quem consegue?
São várias as emoções que nos invadem diariamente, mas poucas se tornam sentimentos. A maturidade vem com o tempo e com a idade. Maturidade, pra mim, é entender que temos uma vida só, só uma vida. O amanhã de ontem é agora. A gente deve tudo menos esperar, mas devemos respeitar a vida, que tem seu tempo próprio. Tudo na vida tem seu tempo e, por vezes, me pego querendo atrasar algo ou adiantar algo, como se eu, Aline Silva, simples ser humano, soubesse o que está por vir, como se eu soubesse o que é realmente bom. Pensamos que sabemos mas, na verdade, não sabemos. Os imprevistos nos cercam e devemos estar preparados. Mas nesses assuntos, é importante zelar pelo equilíbrio é claro.
Tempo de plantar, tempo de colher.
Tempo para o amor, tempo para o ódio.
Tempo de trabalho, tempo de lazer.
Tempo de dar, tempo de receber.
Tempo de sofrimento, tempo de prazer.
Tempo de idealizar, tempo de fazer.
Tempo para paz, tempo para a guerra.
Tempo para nascer e tempo para morrer.



E assim é com todos, em todo lugar. Por vezes a vida é traiçoeira, um azul que nos remete para paz, serenidade, autenticidade, esconde por trás uma tempestade, que ainda longínqua, já começa a nos castigar nos primeiros sinais. A vida se assemelha ao clima. As vezes chove forte, outras vezes temos um breve sereno. As vezes o sol é escaldante e por vezes as nuvens cobrem todos os raios. Temos que estar preparados, não devemos ter medo da verdade nem da nossa liberdade. Dedicar a nossa vida por causas justas, que realmente mudaram a história, história de vidas. Da vida a gente leva a vida só e eu, rapidamente, troquei o meu sonho de estudar em grandes faculdades, de atingir um nível intelectual quase imbatível, por um que ardia a muito tempo em mim: viver. Viver bem. Fazer o que realmente importa nessa terra, fazer valer. Dar valor ao que realmente importa. Me desfazer e me reinventar. Cair, levantar. Chorar, rir. Sonhar, fazer. Tentar... Aprender a viver. Vários passam anos e anos... E não conseguem atingir a simplicidade da vida.

Aproveite, você tem uma vida só!

7 comentários:

  1. Eitaaaa menina linda! Como você anda hein? Cara tu deixou muita saudade aki! Tô ligado que você nao está passando por momentos muito bons ai não mas, como sempre, vc sai linda e forte lá na frente. Isso que mais adimiro em você e sei que você nao perdeu nem nunca vai perder! Afinal, quem era a guerreira que fez vários projetos pra santa luzia, pro palmital? que passou o natal na favela? que tem vários projetos pra sampa, pro rio? cadê a doida que idealizou e ajudou vários por aqui? a rua vai ser sempre nois! Nunca desista dos seus sonhos! A gente te espera aqui. Esse texto é apenas mais uma prova da pessoa linda e espetacular que você é! Continue firme!
    Beijo, Gustavo*

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  2. Ohhhhhhhhhhhh Gu!!!!!! Você é d+ cara :) Obrigada e pode deixar que eu nunca vou desistir... Apesar de tanto demonio ao redor... Não desistirei... I have a dream! hahaha Um só caminhO!

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  3. epa eu comecei a ler mas depois passei para baixo e esta merda é bue grande e perdi a vontade de ler, por isso nao abuzes da liberdade de escrita

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  4. Alguém já te disse que você tem um jeito enorme com as palavras? Alguém já ousou te dizer que, apesar de lindo exteriormente, o teu ser, o teu espirito, o teu caráter (...) é de fato algo encantador? Acho legal quando você fica viajando nos seus sonhos, por instantes volta a ser uma criança. Tenho saudades desse tempo de melhor amigos em que você encostava a cabeça no meu ombro e com a mão fazia a rota dos aviões: vou fazer isso, aquilo, naquele lugar, aquelas pessoas. Rsrsrsrs. Sempre foi assim, maluca, sua espontaniedade está bem patente neste texto, porém parece que a maturidade está batendo em tua porta. Menina, é um orgulho fazer parte da tua vida e do teu crescimento. Conta semper Comigo. Alison

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  5. caracaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.... só agora que estou lendo este comentário. Que vontade de chorar :') meu Deus... hahahha...

    Caraca... de cara, na moral... Te amo véi, saudades tuas manos. Passei por muitas mas me mantive, firme e forte, segue. Vamos lá, tenho uma fabrica de sonhos na cabeça... hahahhaa

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